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Assessor de Lula provoca Trump no jornal inglês Financial Times

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Se alguém ainda tem dúvida de que Celso Amorim é um desastre ferroviário para as relações exteriores do Brasil, precisa ler o que ele disse ao jornal inglês Financial Times.

O título da reportagem é sugestivo da encrenca em que nos meteram: “Brazil vai dobrar a aposta no Brics em desafio a Donald Trump”.

A partir do título, só piora. Enquanto empresários tentam estabelecer um canal de diálogo com o governo de Donald Trump para tentar adiar ou atenuar o tarifaço sobre a importação de produtos brasileiros, visto que não existe conversa nenhuma do governo brasileiro com a Casa Branca, o ideólogo que guia o país para a marginalidade internacional comparou os Estados Unidos à finada União Soviética, em desfavor dos americanos.

A provocação está lá no jornal: “Amorim disse que a interferência de Trump nos assuntos internos do Brasil era algo não visto ‘nem mesmo na era colonial’. ‘Acho que nem mesmo a União Soviética teria feito algo assim’, disse ele.”

De fato, não. Se fosse desafiada pelo Brasil e pudesse fazer algo a respeito, a União Soviética, que Deus não a tenha, invadiria o país, fuzilaria todos os integrantes do governo e colocaria um fantoche no Palácio do Planalto.

A comparação fica tão mais cínica porque o governo Lula aliou-se desavergonhadamente a Vladimir Putin. O tirano russo sonha reviver o império soviético, anexando, em um primeiro momento, a Ucrânia — criticada duramente no comunicado final da última cúpula do Brics, como se fosse ela a grande agressora na guerra patriótica contra a invasora Rússia.

Não contente em comparar os Estados Unidos com a União Soviética, Celso Amorim mente que Brics não é um bloco ideológico, um instrumento da China e da Rússia, e diz que o Brasil “redobrará o seu compromisso” com o clube antiamericano. A quatro dias do tarifaço, é uma declaração muito oportuna para Donald Trump nem sequer cogitar em recuar contra o país que quer substituir o dólar como moeda das trocas internacionais, coisinha pouca, por que ele ficou tão bravo?

Na sua entrevista alucinada ao Financial Times, o ideólogo ainda afirma que, no último ano de governo Lula, o Brasil “provavelmente terá um maior foco na América do Sul, cujos países comercializam menos entre si do que em outras partes do mundo”.

Lula e Celso Amorim não precisam combinar apenas com os russos. Precisam combinar também com a Venezuela. O camarada Nicolás Maduro acabou de anunciar a imposição de um tarifaço de 77% sobre produtos brasileiros. Para não falar da Argentina: Javier Milei, com quem Lula se recusa a conversar, está firmando acordos comerciais especiais com a União Soviética. Estados Unidos, digo.

Ao final, Celso Amorim repete a máxima segundo a qual “países não tem amigos, apenas interesses” para criticar Donald Trump, que não teria “nem amigos, nem interesses, apenas desejos”. Não é pior, convenhamos, do que ter os amigos errados e defender apenas os interesses dos outros.

Isto aqui não tem jeito, não. O negócio é jogar truco e esperar pela próxima eleição, sempre tendo em mente que o problema no Brasil nunca foram as urnas eletrônicas, mas os eleitores.

Metrópoles

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